Jovens do Brasil,
Espero que todos estejam bem nessa reta final do ano de 2011, sei de vários que estão concluindo seus cursos na faculdade, outros fazendo pós, alguns casando, enquanto outros já estão tendo seus primeiros filhos. Também fiquei sabendo de alguns que estão se levantando para ano de serviço, como outros que estão se levantando como Pioneiros para contribuir cada um com a sua parcela para o avanço deste Plano.
Os amigos notaram que em anexo à Carta de Dezenove Dias do mês bahá’í Qawl (Discurso), a Assembléia Espiritual Nacional enviou uma mensagem da Casa Universal de Justiça aos bahá’ís no Berço da Fé em 02 de abril de 2010. De forma que esta fosse lida e estudada por um maior número de amigos possíveis, principalmente pela juventude bahá’í face aos importante temas abordados.
Aproveito para copiar a mensagem aqui no blog para aqueles que não receberam, ou ainda não tiveram tempo de abrir a mensagem.
Tradução:
2 de abril de 2010
Aos crentes no Berço da Fé
Amigos ternamente amados,
Na carta que lhes mandamos em 24 de novembro de 2009, tratamos do assunto da família e seu papel no avanço da civilização, chamando sua atenção à necessidade de educar as crianças de modo que vejam seu próprio bem-estar como inseparável do bem-estar dos outros. Ao mesmo tempo em que enfatizamos a importância da solidariedade na família, especialmente por se referir ao progresso social, pedimos cuidado em relação a isso, para evitar que a dedicação aos interesses da família reduza o compromisso com a justiça e a compaixão por todos, ou apresente alguma desculpa para a perpetuação de uma mentalidade prejudicial de “nós e eles”. De fato, há muitas maneiras de uma família poder contribuir para a vida da sociedade – por exemplo, como uma unidade econômica, pode desempenhar um papel significativo para suavizar uma diversidade de problemas nascidos de desigualdades econômicas tão predominantes no mundo atual.
A relativa prosperidade desfrutada pelos bahá’ís do Irã no passado pode ser atribuída à cultura que dá grande ênfase à educação e aprendizagem e considera o exercício assíduo e honesto de uma atividade comercial ou profissional útil, em espírito de serviço, como um ato de adoração. As condições sociais e econômicas atuais do Irã, combinadas com as restrições tão injustamente impostas a vocês por algumas autoridades nos anos recentes, tornaram difícil para vocês o acesso à educação superior, para assegurar emprego estável e para servir à comunidade mais ampla. Nós ficamos satisfeitos em saber que, apesar de tais obstáculos, vocês estão se esforçando para passar aos seus filhos a cultura que deve distinguir a sua comunidade. Sem dúvida, o desenvolvimento social e econômico de sua nação irá requerer, especialmente entre suas gerações mais novas, uma mudança radical de perspectiva que transforme a visão de certos conceitos essenciais – o verdadeiro propósito da vida, a natureza do progresso, o significado da verdadeira felicidade e bem-estar, e a posição que os objetivos materiais devem assumir na vida individual e familiar. Sob esta luz, estamos apresentando nos próximos parágrafos alguns comentários sobre a família e sua influência nos afazeres sociais e econômicos, na esperança de que venham a ajudá-los em sua dedicação ao diálogo construtivo com seus compatriotas.
A justiça social só será alcançada quando cada membro da sociedade desfrutar um relativo grau de prosperidade material e der a devida atenção à aquisição de qualidades espirituais. Assim, a solução das dificuldades econômicas que prevalecem é buscar tanto a aplicação de princípios espirituais como a implementação de métodos e abordagens científicas. A unidade familiar oferece um palco ideal no qual podem ser moldados aqueles atributos morais que contribuem para uma visão apropriada da riqueza material e de sua utilização.
Referindo-se às exigências do mundo material, Bahá’u’lláh afirmou que para a realização de cada fim foi designado um meio. Uma conclusão natural que se pode tirar de uma reflexão sobre este princípio fundamental é que se deve ter cuidado para fazer distinção entre “meios” de “fins”; caso contrário, aquilo que se pretende usar como mero instrumento pode se tornar o próprio objetivo da vida do indivíduo. A aquisição de riqueza é um exemplo disso; é aceitável e louvável na medida em que serve como meio para a aquisição de objetivos mais elevados – para a satisfação das necessidades básicas, para fomentar o progresso da família, para promover o bem-estar da sociedade, e para contribuir para o estabelecimento de uma civilização mundial. Mas, fazer da acumulação de riqueza o propósito central da vida é indigno de qualquer ser humano.
Uma ideia estreitamente relacionada ao acima exposto, e em pleno acordo com o espírito dos ensinamentos bahá’ís, é que o fim não serve para justificar os meios. Por mais construtivo e nobre que seja o objetivo, por mais significativo que seja à vida do indivíduo e ao bem-estar da sua família, não deve ser alcançado através de meios impróprios. Infelizmente, muitos líderes de hoje – políticos, sociais e religiosos – bem como diretores de mercados financeiros, executivos de corporações multinacionais, chefes de comércio e indústria, e pessoas comuns, sucumbem à pressão social e ignoram o chamado de sua consciência; justificam quaisquer meios para alcançar seus objetivos.
A legitimidade da riqueza, segundo indica ‘Abdu’l-Bahá, depende de como ela é adquirida e como é utilizada. Com relação a isso, Ele declarou que “a riqueza é louvável ao máximo grau, se for adquirida pelos esforços do próprio indivíduo e a graça de Deus, através de comércio, agricultura, ofício e indústria”, se as medidas adotadas pelo indivíduo em gerar riqueza servirem para “enriquecer a generalidade das pessoas”, e se a riqueza assim obtida for utilizada para “fins filantrópicos” e “a promoção do conhecimento”, para o estabelecimento de escolas, indústria e o avanço da educação, e para o bem geral da sociedade.
Reflitam sobre a importância das palavras de ‘Abdu’l-Bahá, complexas e sutis ao mesmo tempo. Completamente à parte dos imensos obstáculos ao emprego e serviço que certos elementos fanáticos colocaram no seu caminho, uma multidão de forças negativas, geradas pelo materialismo e corrupção, tão difundidas no mundo, apresentam um desafio ainda maior na defesa dos padrões bahá’is de conduta em relação a assuntos financeiros. No entanto, seguindo os passos de seus antepassados espirituais, vocês permanecem destemidos, esforçando-se sinceramente em reforçar dentro das suas famílias, especialmente em seus filhos, atitudes baseadas na guia divina diante da riqueza material. Seria bom os membros da geração mais nova ponderarem sobre a declaração de ‘Abdu’l-bahá, acima citada, na qual Ele condiciona a aquisição da riqueza ao trabalho diligente e à graça de Deus. Que avaliem cuidadosamente em seus corações e mentes a diferença entre, de um lado adquirir riqueza através de esforço honesto em campos como agricultura, comércio, artes e indústria, e do outro, obtê-la sem trabalho ou através de meios ilícitos. Que considerem as conseqüências de cada um para o desenvolvimento espiritual do indivíduo, bem como o progresso da sociedade, e perguntem a si próprios quais as possibilidades de gerar renda e adquirir riqueza que atraiam as confirmações do alto. Certamente, enquanto fizerem isso, tornar-se-á evidente que o que atrairá as bênçãos de Deus e assegurará a verdadeira felicidade, tanto neste mundo como no vindouro, é o desenvolvimento de qualidades espirituais, tais como a honestidade, fidedignidade, generosidade, justiça, e consideração pelos outros, e o reconhecimento de que meios materiais devem ser despendidos para a melhora do mundo.
Muitos reconhecerão prontamente que a aquisição da riqueza deve ser governada por requisitos de justiça que, como princípio, podem ser expressos em diversos graus, em diferentes níveis. Um empregador e um empregado, por exemplo, estão ligados por leis e convenções que regulam seu trabalho, e espera-se que cada um deles cumpra suas responsabilidades com honestidade e integridade. Em outro nível, contudo, para perceber as implicações mais profundas da justiça, as outras duas precondições para legitimar a aquisição da riqueza, acima mencionadas, devem ser levadas em conta, e as normas prevalecentes repensadas à luz delas. Aqui, a relação entre renda mínima e o custo de vida merece avaliação cuidadosa – especialmente em vista da contribuição dos trabalhadores para o sucesso da companhia e, segundo observado por ‘Abdu’l-bahá, seu direito a uma justa participação nos lucros. A grande margem, muitas vezes injustificada, entre os custos de produção de certos bens e seu preço de venda também requer atenção, assim como a questão da geração de riqueza mediante medidas que “enriqueçam a generalidade das pessoas”. O que tal reflexão e investigação sem dúvida deixará bem claro é que certas abordagens de obtenção de riqueza – muitos dos quais envolvem a exploração de outros, a monopolização e manipulação de mercados, e a produção de bens que promovem a violência e a imoralidade – são indignas e inaceitáveis.
Hoje, o mundo está assolado por um conjunto de forças destrutivas. O materialismo, consolidado no Ocidente, espalhou-se agora para todos os cantos do planeta, criando, em nome de uma economia global forte e do bem estar humano, uma cultura de consumismo. Com habilidade e engenhosidade, promove um hábito de compulsão que busca satisfazer os desejos mais degradantes e egoístas, ao mesmo tempo em que estimula o dispêndio da riqueza de modo a prolongar e exacerbar o conflito social. Como é vã e tola essa visão mundial! E entrementes, uma crescente maré de fundamentalismo, que consigo traz um entendimento excessivamente estreito de religião e espiritualidade, continua a reunir força, ameaçando mergulhar a humanidade em rígido dogmatismo. Em sua forma mais extrema, ele condiciona a resolução dos problemas do mundo à ocorrência de eventos derivados de idéias ilógicas e supersticiosas. Professa apoiar a virtude enquanto, na prática, perpetua opressão e ganância. Entre os resultados deploráveis da influência de tais forças está uma confusão que se aprofunda entre a juventude de todos os lugares, um senso de desesperança em meio àqueles que deveriam impulsionar o progresso, e a emergência de miríades de males sociais.
A chave para resolver estas enfermidades sociais está nas mãos de uma geração jovem convencida da nobreza dos seres humanos; procurando ansiosamente um entendimento mais profundo do verdadeiro propósito da existência; capaz de distinguir entre religião divina e mera superstição; com a clara visão da ciência e religião como dois sistemas independentes, porém complementares, de conhecimento que impulsionam o progresso humano; conscientes e atraídos à beleza e poder da unidade na diversidade; seguros no conhecimento de que a verdadeira glória da pessoa se encontra no serviço ao seu país e aos povos do mundo; e atento ao fato de que a aquisição da riqueza é louvável somente se for alcançada através de meios justos e utilizada para objetivos benévolos, para a promoção do conhecimento e para o bem comum. Desse modo, nossos preciosos jovens devem se preparar para ombrear as tremendas responsabilidades que os esperam. E assim eles se mostrarão imunes à atmosfera de ganância que os cerca e se apressarão sem vacilar ao encalço de seus nobres objetivos.
Nossa esperança é que, enquanto vocês consultam sobre estes assuntos com os amigos, parentes, vizinhos e colaboradores, vocês se verão cada vez mais capazes de contribuir para o desenvolvimento social e econômico de seu país e para o bem-estar e prosperidade de todos. Nós ofereceremos orações nos Sepulcros Sagrados para o progresso do nobre povo do Irã e pelo contínuo sucesso de seus esforços.
[Assina: A Casa Universal de Justiça]